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Médicos em busca de boa remuneração

Há 20 anos, dez especialidades médicas se organizam para conseguir salários melhores. Agora eles querem negociar com planos de saúde
Após 12 anos de espera, a Justiça decidiu, em primeira instância, que o Estado não pode mais contratar médicos e enfermeiros como DTs (temporários) nem por meio de cooperativas. A decisão saiu no mês passado, dando um prazo de dois anos para que o contrato seja mudado e os médicos tenham vínculo com o governo estadual por meio de concurso público. A questão é que a diferença salarial de
um médico concursado para um cooperado chega a ser absurda: o servidor público ganha até três vezes menos. E, se comparado, hoje, com algumas operadoras de saúde, até duas vezes menos.

A remuneração é o único motivo que faz esses profissionais, todos eles médicos especialistas, a continuar longe do poder público e a manter o vínculo empregatício apenas com a cooperativa. E a previsão é de que esse tipo de contrato não se sujeite, nos próximos meses, apenas à Secretaria de Estado de Saúde (Sesa). Algumas das cooperativas começam a negociar esses modelos de contrato com prefeituras, a começar pela Grande Vitória, e ainda defendem mudar o modelo de vínculo com as operadoras dos planos de saúde do Espírito Santo.

A previsão é de começar a padronizar o modelo de cobrança por serviço prestado. “As cooperativas surgiram depois que ficou claro, para os médicos, não ser viável atuar como funcionário público concursado. O salário pago pelo Estado é irrisório e não compensa. Se ganha muito mais ficando num consultório particular. Essa decisão veio quase 20 anos atrás e, agora, começamos a perceber a necessidade de mudar, também, a forma de contrato com as operadoras. São anos de reajustes nas mensalidades dos usuários e nenhum tipo de repasse
para os médicos associados”, frisa o presidente da Cooperativa dos Neurocirurgiões (Coopneuro), João César Rodrigues Menegaz.

Segundo ele, os planos de saúde aumentam, todo ano, a mensalidade dos pacientes, mas não aumentam o valor do serviço prestado pelo médico. “Há uma defasagem que, daqui a pouco, só poderá ser corrigida se for duplicada de preço. Talvez nem isso”, critica Menegaz.

João Rodrigues Menegaz, presidente da Coopneuro  Organização

A saída, nesse caso, estaria na organização desses médicos em torno das cooperativas. Assim como anos atrás, em 1994, quando os especialistas começaram a se unir em cooperativas – largando as firmas e o emprego público – para brigar por uma remuneração melhor contra o Estado, alguns médicos cooperados defendem a necessidade de fazer o mesmo contra as operadoras de planos de saúde. A intenção é impedir que apenas um ou outro profissional seja prejudicado.

“O melhor é se unir e mostrar a insatisfação de toda uma categoria. Não dá para apenas um médico se desligar de um ou dois planos de saúde. Sempre haverá algum para assumir aquela função e aceitar a má remuneração. Tem que ser uma decisão
de toda uma categoria. E, se possível, de todas as cooperativas”, enfatiza o presidente do Coopneuro.

E as cooperativas já conseguiram uma conquista em relação aos planos de saúde. A Coopanestes, dos Anestesiologistas, após mobilizar toda a categoria do Estado, conseguiu convencer a quase todos as operadoras de planos de saúde do Estado (exceto uma) a aumentar o valor do repasse para cada serviço prestado pelo profissional. Uma nova tabela de preços foi aprovada, hoje com valor quase
equivalente ao que o Estado paga.

Para conseguir tal reajuste, a categoria se uniu em prol do Movimento SAES (Sociedade de Anestesiologia do Espírito Santo). “O movimento foi criado para negociar com todos os planos de saúde e elevar nosso recebimento ao nível do que recebemos do Estado. A ação faz parte de nossa política de defesa do profissional. E outras cooperativas já vieram conversar conosco para saber como
se organizar”, frisa o presidente da cooperativa dos anestesiologistas, Erick Freitas Curi.

Exemplo
Assim como serviu de exemplo de cooperativa, em 1994, os anestesiologistas voltam a mostrar o caminho das pedras às demais especialidades médicas. Há quase 20 anos, o grupo de profissionais, insatisfeitos com a remuneração que recebiam do governo estadual, decidiram pedir demissão e se unir em uma cooperativa médica, fundando o atual modelo de organização entre esses profissionais. “O que nos moveu, naquela época, é o que nos move, hoje: uma remuneração ruim, que desmotiva o profissional a fazer um trabalho com
qualidade”, explica o presidente da Coopanestes.

As demais cooperativas de especialidades médicas surgiram a partir de 1997. Dessa vez, por intermédio do próprio governo estadual, que preferiu contratar os profissionais através de uma organização. Naquela época, já existiam as firmas. O Estado tinha servidor público, mas não dava conta de atender a toda a demanda. Então passou a contratar as firmas para cumprir com os serviços extras. Até que surgiu a ideia de oficializar o contrato com uma cooperativa, para facilitar o pagamento e a documentação necessária.

“Hoje, quase 100% do trabalho de especialidade médica, no Estado, é feito por meio das cooperativas. O Hospital São Lucas é assim. E, por isso, é referência em traumas e acidentes. Isso porque sempre tem uma equipe de prontidão, 24 horas, à espera de urgência e emergência. Deu tão certo que virou referência para todo o Brasil”, defende Menegaz.

Modelo
O atendimento no São Lucas é apenas um dos modelos de serviços prestados, hoje, pelo Estado. No Hospital Central, por exemplo, a forma de gestão é outra. O espaço é administrado por uma Organização Social (OS), que recebe uma quantia anual do Estado para gerir o espaço. Cabe a OS decidir quem ela contrata ou não para trabalhar. E, no caso do Hospital Central, não existe vínculos entre a OS
e qualquer cooperativa do Estado.

Outro hospital do Estado, o Dório Silva, da Serra, também está prestes a ter a administração reformulada. Além de ganhar um novo prédio, em novo local, o serviço deve passar a ser executado por uma OS, assim como acontece no Central. Hoje, Sesa e cooperativas negociam como será feita a transferência, garantindo a manutenção dos médicos cooperados dentro do quadro clínico do hospital.

“Não sabemos se mudar um modelo de atendimento médico, que dá certo há 20 anos e garante que o Espírito Santo tenha um dos melhores serviços de atendimento de urgência e emergência do país – talvez o melhor deles – para um modelo que não está 100%, hoje em dia, confiável, seja uma boa opção. É um risco que a saúde pública e a população capixaba não deveriam correr”, avalia Erick Curi, o
presidente do Coopanestes.

Caso o Estado não venha a implantar o sistema OS no Hospital Dório Silva, ainda há outro modelo, já em uso, que contempla o serviço das cooperativas. Atualmente, o trabalho executado no Hospital Evangélico de Vila Velha, referência estadual em cirurgia cardíaca, é feito exclusivamente pela cooperativa dessa especialidade médica. Mas o contrato não é direto com o Governo, já que o hospital é filantrópico. Nesse caso, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) paga o serviço ao hospital, que contrata a cooperativa e paga pelos vínculos profissionais.

 

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