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Leia abaixo o artigo do gerente-geral da FenaSaúde publicado no Jornal Estado de Minas:

A saúde suplementar não quer ser amada, mas compreendida. A frase, pronunciada há alguns anos por liderança do segmento, não poderia ser mais atual, uma vez que os equívocos sobre o setor se perpetuam e agora “viralizam” nas redes sociais. Em ano eleitoral, sobe o tom dos debates sobre temas como a saúde, que, independentemente dos interesses políticos, é pauta prioritária. Mas também é verdade que, neste ambiente, o eco de ideologias de viés antimercado, sempre desprezando as evidências, prejudica o aprofundamento técnico. Um dos maiores erros de interpretação — e que não se coaduna com a realidade fria, mas exata, dos números — é o que presume que as operadoras de planos de saúde acumulam ganhos extraordinários. Por razões históricas, lucro ainda é uma concepção que desperta animosidades no Brasil. O empreendedor costuma ser visto com desconfiança, ainda que seja um pilar do desenvolvimento econômico e social. Obter resultados é como pecar, embora em nenhum lugar do mundo investidores se disponham a apostar em qualquer que seja o ramo sem a garantia de ser remunerado por isso. Em saúde privada, este preconceito é patente. Mas os balanços contábeis confirmam a tese de um setor rico?

Primeiramente, olhemos a elevada taxa de sinistralidade anualizada — razão entre despesas assistenciais e receitas –, que gira em torno de 82%, a depender da modalidade de operação. Em seguida, precisamos consultar o livro-caixa: em 2013, o mercado apresentou receitas de R$ 112,8 bilhões e, acrescentadas despesas com a operação e comerciais, mais os impostos, as despesas totais somaram R$ 112,7 bilhões, comprovando o aperto nas margens. Esse cenário exige das companhias extrema profissionalização para que alcancem resultados positivos. Algumas operadoras conseguem, outras acumulam prejuízos. É da dinâmica de mercado. Os mais eficientes em atender bem os consumidores são recompensados — o que se traduz em lucros e novos investimentos. Aliás, no sentido estrito, lucro extraordinário é aquele obtido quando as condições da concorrência perfeita não funcionam, e uma organização consegue obter lucro acima do normal, tendo seus custos produtivos sobrerremunerados pelo domínio de mercado. Mas essa concepção não encontra correspondência na saúde suplementar do país. Só em 2013, 92 operadoras fecharam seus balanços com patrimônio líquido negativo, tornando-se tecnicamente insolventes. Desde janeiro deste ano, outras 27 sofreram intervenção da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) por desequilíbrios econômico-financeiros. Em caso de insucesso, a operadora pode ir à liquidação extrajudicial.

Em todo o mundo, despesas com assistência médica crescem em ritmo mais acelerado que o da inflação geral de preços ao consumidor. Nos últimos 10 anos, no Brasil, as despesas assistenciais per capita acumulam alta de 133,7%, enquanto a variação do IPCA chega a 61,1%. Essa elevação decorre do crescimento de preços, frequência de utilização e incorporação de novas tecnologias, bem como da inclusão de exames sofisticados ao rol obrigatório da ANS. Nesse período, o reajuste autorizado pela agência para os planos individuais regulados pela Lei 9.656/98 foi de 95,9%. Logo, a correção aplicada às mensalidades nem sequer vem cobrindo os gastos assistenciais, embora supere os demais indicadores do período.

Além de demonstrar a inadequação da atual política de controle dos reajustes dos planos individuais e seu efeito negativo sobre o desenvolvimento do setor, os dados mostram que a correção que hoje incide sobre mensalidades não é abusiva, ainda que impacte orçamentos de famílias e empresas. As ações regulatórias deveriam mirar nas razões do aumento dos custos, e não nos efeitos. Um caminho sensato seria criar critérios de custo/efetividade para incorporação de tecnologias médicas, como em diversos países. Uma vez que seguimos a rota das nações desenvolvidas, é hora de adotar também um plano de voo mais seguro.

Fonte: FenaSaúde

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