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Para cada indivíduo, sua própria saúde se conta entre os bens mais valiosos que existem. Já para um sistema de saúde, é fundamental que os custos sejam controlados. Essa diferença de perspectivas implica que as relações entre usuários e gestores tendem por natureza a ser conflituosas.

Obviamente, o nível de enfrentamento só piora quando o sistema passa por mudanças rápidas, como vem ocorrendo no setor privado, notadamente em São Paulo. Nos últimos cinco anos, os planos tiveram um crescimento de 16% no número de usuários. Hoje, atendem a 26% da população brasileira, chegando a 45% no Estado de São Paulo, e a 61% na capital.

Como as operadoras não se prepararam para o acréscimo de demanda, o resultado são filas e queixas. Reportagem publicada por esta Folha na segunda (3) mostrou que os laboratórios da cidade estão lotados. Alguns deles pedem até três meses para agendar exames como ressonâncias magnéticas. Dependendo do problema do paciente, esse prazo pode ser fatal.

Para agravar o quadro, planos também têm aumentado as recusas de atendimento. Elas cresceram impressionantes 440% em apenas três anos, como revelou “O Estado de S. Paulo”.

Em alguns casos, fazem-no mesmo sabendo que a negativa é ilegal. Calculam que nem todos os usuários acionarão a Justiça para assegurar o cumprimento do contrato. É um raciocínio imediatista. Ao fim e ao cabo, o cliente aprende o caminho das pedras e atitudes como essa servem principalmente para introduzir um custo estranho -as despesas judiciais- na já salgada conta da saúde.

E esse não é o único nem o maior erro estratégico das operadoras. Ao comprimir a remuneração dos médicos, levaram esses profissionais a adotar consultas-relâmpago de 10 ou 15 minutos. Aí, para precaver-se contra erros, acabam pedindo exames, alguns bem caros, que se mostrariam desnecessários com uma anamnese mais cuidadosa. Não é uma coincidência que as requisições de exames estejam aumentando em ritmo maior que o da entrada de novos segurados.

Prover serviços de saúde é uma atividade cara. Se médicos e pacientes fizerem o que julgarem melhor sem ligar para custos, o sistema se torna inviável. Ou a conta fica impagável ou os desajustes são resolvidos com filas intransponíveis, como ocorre no SUS.

A grande verdade é que temos de aceitar a ideia de que o sistema precisa ser otimizado. É necessário adotar protocolos mais rígidos, que evitem desperdícios, ainda que isso limite as escolhas de médicos e pacientes.

Fonte: Folha de São Paulo

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