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Planos de saúde querem reajuste acima do IPCA

Insatisfação deve-se à determinação da ANS com cerca de 69 novos
procedimentos obrigatórios

Vigorando desde 1º de janeiro deste ano, os cerca de 70 procedimentos incluídos
pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na lista obrigatória de
serviços oferecidos pelos planos de saúde provocaram a insatisfação nos
gestores das operadoras. Com isso, eles afirmam que, para compensar o impacto
sofrido, o melhor seria um reajuste acima da inflação em 2012.

“O ideal para nós seria um pouco acima (da inflação), mas para o cliente
isso teria uma repercussão negativa e nós temos que adequar (os preços) às duas
realidades”, declarou o presidente da Unimed Ceará, Darival Bringel.

Sem revelar números, ele argumentou que “sempre fica em desvantagem com a
ANS” e que, com a entrada dos novos procedimentos, o investimentos em
tecnologia e inovação médica ficam comprometidos.

Apesar disso, ontem, quando foi reeleito para mais quatro anos de mandato à
frente da cooperativa de médicos, ele anunciou o investimento em um estudo para
desenvolver um sistema de telemedicina, no qual os doutores poderão enviar
exames e outros procedimentos no qual tenham dúvida ou necessitem de segunda
opinião via internet, para que colegas opinem.

Outro plano divulgado por Bringel é a implantação do chamado prontuário
digital, a partir da unidade de Juazeiro do Norte, na Unimed Cariri.

Contratado por uma empresa multinacional, este projeto ainda está sendo
estudado e é previsto para ser iniciado até o fim deste semestre, assim como o
da telemedicina.

Unimed Fortaleza

Já o presidente da Unimed Fortaleza, Mairton Lucena, reclama de um prejuízo
orçado em cerca R$ 19 milhões, a partir de 300 clientes – dos 392 da carteira
da cooperativa da Capital -, os quais fizeram uso dos procedimentos em 2011 e
estima-se que também façam agora.

Para ele, “o ideal seria que, além de considerar a inflação para os
medicamentos, procedimentos e próteses, também colocassem no cálculo os novos
procedimentos adicionados agora”.

Cálculo

Afirmando não poder comparar o índice do reajuste ao da inflação, a ANS afirma
em seu site que “o índice de reajuste divulgado pela ANS não é um índice
de preços. Ele é composto pela variação na frequência de utilização de
serviços, da incorporação de novas tecnologias e pela variação dos custos de
saúde em geral, caracterizando-se como um índice de valor”.

No ano passado, o aumento aprovado pela ANS foi de 7,69% – o maior desde 2006
(8,89%.)

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2012, de acordo com o
boletim Focus do último dia 20 de janeiro, publicado pelo Banco Central (BC), é
estimado em 5,30% – queda ante a semana passada (5,32%).

1º semestre

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da ANS informou que o
processo de cálculo para o reajuste de 2012 ainda não iniciou, e a previsão é
de que a definição da taxa saia em maio ou junho deste ano.

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