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O sujeito passa mal na rua diante de um pronto-socorro, mas não
consegue atendimento porque não está nem perto o bastante para ser carregado
pelos enfermeiros nem longe o suficiente para que se acione o serviço de
ambulância.

Se fosse no cinema, o roteirista seria tachado de mirabolante e inverossímil,
mas, na vida real, o fenômeno não só acontece como se repete com alguma
frequência.

A porta de um hospital é terra de ninguém. As rotinas de atendimento não
antecipam que se apanhe o paciente na rua, e algumas chefias interpretam a
ausência de previsão como proibição, que pode ser implementada a ferro e fogo,
em especial se o paciente é um mendigo.

Dizem, não sem uma pontinha de fundamento, que, se algo acontecer no trajeto entre
a rua e o pronto-socorro, o funcionário que faz o transporte é que seria
responsabilizado.

Pelo manual, caberia ao Samu

realizar a transferência do paciente, mas este serviço muitas vezes alega -e
com razão- que tem coisas mais importantes para fazer do que carregar para as
dependências do hospital alguém que já está à sua porta.

No fundo, temos aqui o dilema essencial da burocracia. Se, de um lado, sistemas
dependem de rotinas e padronizações para funcionar bem, de outro, a aplicação
mecânica e irrefletida de regras (ainda que razoáveis) pode engendrar
verdadeiros absurdos, como deixar um paciente grave sem atendimento.

O problema não se limita a hospitais. Uma boa receita para produzir o pior dos
mundos é aplicar com máximo zelo todas as leis vigentes.

A solução para evitar esses paradoxos, além de rever e aprimorar continuamente
os protocolos, é deixar que as pessoas usem o seu bom-senso. Na média, ele mais
acerta do que erra.

Essa ao menos foi a aposta da natureza, ao dotar os humanos de cérebros capazes
de comportamento flexível, isto é, de responder de forma diferente a diferentes
situações.

 

 

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