
Dados do TISS ampliam atenção à qualidade das informações
Atualização da base pública da ANS reforça a importância da consistência, rastreabilidade e governança dos dados assistenciais e financeiros enviados pelas operadoras.
A qualidade das informações enviadas pelas operadoras tende a ganhar ainda mais relevância à medida que a ANS amplia a disponibilização pública dos dados do Padrão TISS. Com a atualização das bases abertas contendo informações assistenciais e financeiras até 2025, pesquisadores, órgãos de controle e demais agentes do setor passam a ter acesso a um conjunto mais amplo de indicadores sobre utilização de serviços de saúde. Nesse contexto, a consistência dos dados, a rastreabilidade dos processos e a governança das informações deixam de ser apenas requisitos operacionais e passam a influenciar diretamente a transparência e a percepção sobre o desempenho das operadoras.
Leitura rápida
- A ANS atualizou as bases abertas do Padrão TISS com informações referentes a 2025;
- A divulgação amplia o acesso público a indicadores assistenciais e financeiros do setor;
- Em 2025, 871 das 1.114 operadoras em atividade informaram dados no TISS;
- Os dados mostram crescimento contínuo de SP/SADT e aumento da telessaúde no período analisado;
- A própria ANS recomenda cautela na análise dos dados, especialmente quanto a outliers.
A transparência cresce junto com a exposição dos dados
A atualização do Plano de Dados Abertos do Padrão TISS amplia o acesso público a informações assistenciais e financeiras reportadas pelas operadoras à ANS. Embora não represente nova obrigação regulatória, a medida fortalece a transparência do setor e amplia a capacidade de análise por pesquisadores, órgãos de controle, entidades setoriais e pela sociedade.
Na prática, os dados permitem observar volumes de procedimentos, valores médios, internações, consultas, exames, terapias e outros eventos assistenciais organizados por Unidade da Federação, mês e ano de competência. Essa abertura aumenta a visibilidade sobre a dinâmica da Saúde Suplementar e reforça a relevância da qualidade das informações prestadas.
A atualização dos dados abertos do TISS não cria novas exigências regulatórias, mas amplia a visibilidade das informações enviadas pelas operadoras e reforça a importância da qualidade, consistência e rastreabilidade dos dados reportados.
O desafio não está apenas no envio, mas na qualidade da informação
A própria ANS destaca que, no processo de validação dos dados assistenciais e financeiros enviados pelas operadoras, são identificadas inconsistências em parte das informações. Esse ponto é especialmente relevante porque bases públicas podem ser utilizadas em análises setoriais, pesquisas acadêmicas, estudos comparativos e visualizações de indicadores.
Para as operadoras, o tema exige atenção além do cumprimento operacional do envio. A consistência dos dados depende de processos internos bem definidos, integração entre áreas assistenciais, financeiras, tecnológicas e regulatórias, além de controles capazes de reduzir distorções antes da transmissão das informações.
Dados inconsistentes podem afetar análises públicas e comparações setoriais, especialmente quando utilizados sem tratamento estatístico adequado ou sem exclusão de valores fora do padrão.
SP/SADT segue concentrando grande parte dos registros
Segundo a ANS, a maior parte dos atendimentos em saúde registrados no TISS em 2025 estava relacionada aos serviços profissionais e de apoio a diagnóstico e terapia, conhecidos como SP/SADT. Esses eventos somaram cerca de 558 milhões de registros e vêm apresentando crescimento contínuo ao longo dos anos.
Esse movimento reforça a importância de controles sobre codificação, faturamento, auditoria, autorização, glosas e integração de sistemas. Quanto maior o volume de registros, maior também a necessidade de governança sobre a origem, a consistência e a rastreabilidade das informações.
Internações e telesaúde indicam mudanças relevantes no uso assistencial
A atualização também apresenta dados sobre internações enviadas ao TISS. Em 2025, foram registradas quase 3,5 milhões de internações cirúrgicas e cerca de 3 milhões de internações clínicas. Nos anos de 2020, 2021 e 2022, as internações clínicas superaram as cirúrgicas, movimento que a ANS relaciona ao aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave durante o período mais crítico da pandemia de Covid-19.
Outro ponto relevante é o crescimento das internações psiquiátricas, cuja participação passou de 2% em 2020 para 2,8% em 2025. A base também indica crescimento contínuo dos atendimentos por telessaúde, com aumento aproximado de 86% no período analisado.
A leitura dos dados exige cautela técnica
A ANS recomenda atenção especial na aplicação de filtros e tratamentos estatísticos para exclusão de valores fora do padrão, especialmente em análises relacionadas a valores pagos e valores informados pelas operadoras. Essa ressalva é relevante porque a abertura dos dados não elimina a necessidade de interpretação técnica.
Indicadores públicos podem gerar conclusões equivocadas quando utilizados sem tratamento adequado, sem avaliação de contexto ou sem análise da qualidade da base. Por isso, a governança dos dados deve envolver não apenas o envio, mas também a capacidade de explicar, validar e sustentar as informações reportadas.
Governança de dados passa a ser parte da estratégia regulatória
A atualização dos dados abertos do Padrão TISS reforça um movimento mais amplo de transparência na Saúde Suplementar. Quanto maior a utilização pública das informações, maior tende a ser a relevância dos processos internos de validação, auditoria e rastreabilidade.
Para operadoras, o tema não deve ser tratado como uma obrigação meramente técnica ou como rotina isolada de transmissão de dados. A maturidade regulatória depende da capacidade de demonstrar que as informações enviadas à ANS são consistentes, auditáveis e sustentadas por processos internos confiáveis.
Perguntas frequentes
A atualização dos dados abertos do TISS cria nova obrigação para as operadoras?
Não. A notícia trata da atualização das bases públicas da ANS com informações referentes a 2025. O impacto principal está na maior visibilidade dos dados já enviados pelas operadoras.
Por que essa atualização pode gerar receio nas operadoras?
Porque os dados assistenciais e financeiros passam a estar mais acessíveis para análises públicas, estudos comparativos e interpretações externas sobre o desempenho do setor.
A ANS reconhece possíveis inconsistências nas informações?
Sim. A Agência informa que, no processo de validação dos dados enviados, são frequentemente identificadas inconsistências em parte das informações, tratadas por meio de reuniões técnicas e do Monitora TISS.
Como as operadoras devem interpretar esse movimento?
Como um reforço à necessidade de governança, rastreabilidade, auditoria e validação interna das informações assistenciais e financeiras enviadas à ANS.
Fontes e referências
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A CTS Consultoria apoia operadoras e organizações de saúde em governança corporativa, compliance, LGPD, auditoria e gestão de riscos, contribuindo para o fortalecimento da segurança regulatória, da eficiência operacional e da sustentabilidade institucional.
