Atualização dos dados abertos do Padrão TISS pela ANS
TISS Dados Abertos ANS Governança

Dados do TISS ampliam atenção à qualidade das informações

Atualização da base pública da ANS reforça a importância da consistência, rastreabilidade e governança dos dados assistenciais e financeiros enviados pelas operadoras.

Por CTS Consultoria 24 junho 2026 5 min de leitura

A qualidade das informações enviadas pelas operadoras tende a ganhar ainda mais relevância à medida que a ANS amplia a disponibilização pública dos dados do Padrão TISS. Com a atualização das bases abertas contendo informações assistenciais e financeiras até 2025, pesquisadores, órgãos de controle e demais agentes do setor passam a ter acesso a um conjunto mais amplo de indicadores sobre utilização de serviços de saúde. Nesse contexto, a consistência dos dados, a rastreabilidade dos processos e a governança das informações deixam de ser apenas requisitos operacionais e passam a influenciar diretamente a transparência e a percepção sobre o desempenho das operadoras.

Leitura rápida

  • A ANS atualizou as bases abertas do Padrão TISS com informações referentes a 2025;
  • A divulgação amplia o acesso público a indicadores assistenciais e financeiros do setor;
  • Em 2025, 871 das 1.114 operadoras em atividade informaram dados no TISS;
  • Os dados mostram crescimento contínuo de SP/SADT e aumento da telessaúde no período analisado;
  • A própria ANS recomenda cautela na análise dos dados, especialmente quanto a outliers.

A transparência cresce junto com a exposição dos dados

A atualização do Plano de Dados Abertos do Padrão TISS amplia o acesso público a informações assistenciais e financeiras reportadas pelas operadoras à ANS. Embora não represente nova obrigação regulatória, a medida fortalece a transparência do setor e amplia a capacidade de análise por pesquisadores, órgãos de controle, entidades setoriais e pela sociedade.

Na prática, os dados permitem observar volumes de procedimentos, valores médios, internações, consultas, exames, terapias e outros eventos assistenciais organizados por Unidade da Federação, mês e ano de competência. Essa abertura aumenta a visibilidade sobre a dinâmica da Saúde Suplementar e reforça a relevância da qualidade das informações prestadas.

Ponto central:

A atualização dos dados abertos do TISS não cria novas exigências regulatórias, mas amplia a visibilidade das informações enviadas pelas operadoras e reforça a importância da qualidade, consistência e rastreabilidade dos dados reportados.

O desafio não está apenas no envio, mas na qualidade da informação

A própria ANS destaca que, no processo de validação dos dados assistenciais e financeiros enviados pelas operadoras, são identificadas inconsistências em parte das informações. Esse ponto é especialmente relevante porque bases públicas podem ser utilizadas em análises setoriais, pesquisas acadêmicas, estudos comparativos e visualizações de indicadores.

Para as operadoras, o tema exige atenção além do cumprimento operacional do envio. A consistência dos dados depende de processos internos bem definidos, integração entre áreas assistenciais, financeiras, tecnológicas e regulatórias, além de controles capazes de reduzir distorções antes da transmissão das informações.

Nota:

Dados inconsistentes podem afetar análises públicas e comparações setoriais, especialmente quando utilizados sem tratamento estatístico adequado ou sem exclusão de valores fora do padrão.

SP/SADT segue concentrando grande parte dos registros

Segundo a ANS, a maior parte dos atendimentos em saúde registrados no TISS em 2025 estava relacionada aos serviços profissionais e de apoio a diagnóstico e terapia, conhecidos como SP/SADT. Esses eventos somaram cerca de 558 milhões de registros e vêm apresentando crescimento contínuo ao longo dos anos.

Esse movimento reforça a importância de controles sobre codificação, faturamento, auditoria, autorização, glosas e integração de sistemas. Quanto maior o volume de registros, maior também a necessidade de governança sobre a origem, a consistência e a rastreabilidade das informações.

Internações e telesaúde indicam mudanças relevantes no uso assistencial

A atualização também apresenta dados sobre internações enviadas ao TISS. Em 2025, foram registradas quase 3,5 milhões de internações cirúrgicas e cerca de 3 milhões de internações clínicas. Nos anos de 2020, 2021 e 2022, as internações clínicas superaram as cirúrgicas, movimento que a ANS relaciona ao aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave durante o período mais crítico da pandemia de Covid-19.

Outro ponto relevante é o crescimento das internações psiquiátricas, cuja participação passou de 2% em 2020 para 2,8% em 2025. A base também indica crescimento contínuo dos atendimentos por telessaúde, com aumento aproximado de 86% no período analisado.

A leitura dos dados exige cautela técnica

A ANS recomenda atenção especial na aplicação de filtros e tratamentos estatísticos para exclusão de valores fora do padrão, especialmente em análises relacionadas a valores pagos e valores informados pelas operadoras. Essa ressalva é relevante porque a abertura dos dados não elimina a necessidade de interpretação técnica.

Indicadores públicos podem gerar conclusões equivocadas quando utilizados sem tratamento adequado, sem avaliação de contexto ou sem análise da qualidade da base. Por isso, a governança dos dados deve envolver não apenas o envio, mas também a capacidade de explicar, validar e sustentar as informações reportadas.

Governança de dados passa a ser parte da estratégia regulatória

A atualização dos dados abertos do Padrão TISS reforça um movimento mais amplo de transparência na Saúde Suplementar. Quanto maior a utilização pública das informações, maior tende a ser a relevância dos processos internos de validação, auditoria e rastreabilidade.

Para operadoras, o tema não deve ser tratado como uma obrigação meramente técnica ou como rotina isolada de transmissão de dados. A maturidade regulatória depende da capacidade de demonstrar que as informações enviadas à ANS são consistentes, auditáveis e sustentadas por processos internos confiáveis.

Perguntas frequentes

A atualização dos dados abertos do TISS cria nova obrigação para as operadoras?

Não. A notícia trata da atualização das bases públicas da ANS com informações referentes a 2025. O impacto principal está na maior visibilidade dos dados já enviados pelas operadoras.

Por que essa atualização pode gerar receio nas operadoras?

Porque os dados assistenciais e financeiros passam a estar mais acessíveis para análises públicas, estudos comparativos e interpretações externas sobre o desempenho do setor.

A ANS reconhece possíveis inconsistências nas informações?

Sim. A Agência informa que, no processo de validação dos dados enviados, são frequentemente identificadas inconsistências em parte das informações, tratadas por meio de reuniões técnicas e do Monitora TISS.

Como as operadoras devem interpretar esse movimento?

Como um reforço à necessidade de governança, rastreabilidade, auditoria e validação interna das informações assistenciais e financeiras enviadas à ANS.

Fontes e referências

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