
Fraudes na Saúde Suplementar: Impactos para Operadoras e ANS
Antonio Barros
10/12/2025
As operadoras de planos de saúde enfrentam hoje um dos maiores desafios da história da saúde suplementar: A escalada silenciosa e contínua das fraudes e desperdícios. E embora muito se fale em inflação médica, envelhecimento populacional ou pressão de custos, existe um fator ainda mais perigoso, justamente porque não é visível: a sinistralidade artificial provocada por práticas fraudulentas e gastos desnecessários.
De acordo com estudos do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), o setor perde mais de R$ 30 bilhões por ano com fraudes e desperdícios. É um valor capaz de comprometer resultados, destruir margens, pressionar reajustes e ameaçar a sustentabilidade de operadoras de todos os portes.
A fraude no setor não acontece de forma explícita. Ela é sutil, fragmentada e muitas vezes tecnicamente “camuflada” em processos assistenciais. Porém, quando analisada em escala, revela um padrão preocupante.
Órteses, Próteses e Materiais Especiais continuam sendo um dos principais vetores de desvio. Mesmo com o Parecer Técnico nº 24/2021 da ANS reforçando critérios de indicação, muitos casos seguem com:
- materiais de alto custo sem justificativa técnica;
- falta de rastreabilidade;
- prescrições influenciadas por práticas indevidas.
Além disso, diferentes mecanismos contribuem para aumento artificial de custos, como prolongamentos indevidos de internações, criação de atendimentos inexistentes, duplicidade de cobranças e pedidos de reembolso sem lastro documental adequado. Essas práticas, somadas, aumentam a sinistralidade de forma significativa, sem que a operadora perceba de forma imediata.
Por que isso acontece? O cenário é favorável à fraude
A fraude prospera porque o ambiente do setor ainda é fragilizado por:
- Baixa interoperabilidade entre sistemas;
- Ausência de rastreabilidade ampla de materiais e procedimentos;
- Auditorias sobrecarregadas;
- Limitações estruturais da regulação atual.
Em um sistema altamente fragmentado, a fraude se aproveita justamente das brechas.
Fim da auditoria reativa: a ascensão da Inteligência Artificial
O grande divisor de águas no combate às fraudes não é punitivo, é preditivo. A era da análise retroativa acabou. Operadoras mais avançadas já utilizam Big Data e Inteligência Artificial para:
- Identificar padrões comportamentais atípicos;
- Detectar prestadores com desvio estatístico;
- Avaliar riscos em tempo real;
- Sinalizar transações suspeitas antes que o pagamento seja realizado.
E os resultados são expressivos: algoritmos de detecção já evitaram mais de R$ 35 milhões em prejuízos em grandes operadoras somente em 2023.
Apesar dos avanços tecnológicos, o setor ainda carece de um arcabouço regulatório moderno e robusto, capaz de garantir:
- Rastreabilidade obrigatória de materiais e medicamentos de alto custo. Sem rastreamento, o sistema permanece vulnerável a cobranças múltiplas e superfaturamento;
- Integração nacional de dados assistenciais. A ANS precisa avançar em iniciativas que permitam comparar padrões em nível de setor, não apenas dentro de cada operadora;
- Penalidades mais severas para práticas fraudulentas.
Fraude não é “desvio”…
É crime!
E precisa ser tratada como tal.
O setor precisa de regras claras, modernizadas e alinhadas ao que há de mais avançado em governança e combate a ilícitos.
A verdade é simples: operadoras que não enfrentarem as fraudes de forma estratégica perderão competitividade, previsibilidade financeira e capacidade de investimento.
Em um cenário de margens reduzidas, obrigações regulatórias crescentes e pressão de mercado, a habilidade de identificar e neutralizar desperdícios se torna um diferencial estratégico, talvez o mais importante dos próximos anos.
Fraude não é Custo. É Roubo! E o setor não pode mais tolerar isso…
Fraude e desperdício não são variáveis inevitáveis do sistema. São ameaças reais à sustentabilidade da saúde suplementar e precisam ser tratadas com prioridade máxima.
Tecnologia, governança e regulação robusta formam o caminho mais seguro para um setor mais eficiente, mais previsível e mais sustentável.
A Posição da CTS:
Na CTS Consultoria Técnica e Atuarial, entendemos que o enfrentamento a fraudes e desperdícios é parte da agenda de sustentabilidade do setor. Nossa atuação combina análise regulatória, governança, LGPD e estudos atuariais para apoiar operadoras na redução de riscos e na melhoria contínua dos seus processos.
Em um contexto de margens mais restritas e maior exigência regulatória, a capacidade de prevenir desperdícios torna-se um diferencial competitivo relevante.
Se sua operadora deseja evoluir no monitoramento preditivo, na governança e na gestão antifraude, a CTS está preparada para apoiar a construção de estratégias mais eficientes e alinhadas às melhores práticas do setor.
Mais do que reagir, é hora de antecipar riscos. Sua operadora está pronta para o próximo passo?
A CTS é uma consultoria regulatória especializada em assuntos da ANS, LGPD, Governança e cálculos atuariais, apoiando as operadoras na adoção de práticas alinhadas às exigências normativas e à gestão preventiva dos seus riscos.

Antonio Barros
Consultor Técnico em Saúde Suplementar
Entre em contato com a CTS Consultoria para entender como podemos apoiar sua operadora em análises antifraude, governança de dados e revisão de processos assistenciais.
