Retrospectiva ANS 2025: avanços regulatórios, transparência e desafios para operadoras em 2026

Retrospectiva ANS 2025: avanços e desafios 2026

Yuri Barbosa

Consultor Regulatório • 12/01/2026

Em 2025, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) consolidou um ciclo relevante de avanços regulatórios, expansão do setor e modernização institucional, reforçando sua missão de proteger os beneficiários e promover a sustentabilidade do sistema de saúde suplementar no Brasil.

O setor manteve trajetória de crescimento, alcançando 53,3 milhões de beneficiários em planos médico-hospitalares e 35,1 milhões em planos exclusivamente odontológicos, números que representam aumento significativo em relação a 2024. Esse cenário confirma a resiliência do mercado, ao mesmo tempo em que amplia a responsabilidade regulatória das operadoras.

Fortalecimento da governança e da participação social

A participação social foi um dos pilares da atuação da ANS em 2025. Ao longo do ano, foram realizadas:

  • 13 audiências públicas
  • 22 consultas públicas
  • 1 Tomada Pública de Subsídios

Essas iniciativas ampliaram a transparência regulatória e fortaleceram o diálogo entre regulador, operadoras, prestadores e sociedade. A Diretoria Colegiada da ANS realizou 30 reuniões, muitas delas com transmissão remota, reforçando práticas de governança, previsibilidade regulatória e controle social.

Atuação institucional e monitoramento do mercado

No campo institucional, 2025 foi marcado pela renovação parcial da Diretoria Colegiada, com novas lideranças assumindo posições estratégicas. Também se destacou o fortalecimento da integração com o Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente por meio do programa “Agora Tem Especialistas”, que permite a troca de dívidas das operadoras por atendimentos à população, contribuindo para a redução de filas e ampliação do acesso.

A ANS manteve atuação firme na gestão de crises e fiscalização, com acompanhamento intensivo de operadoras em situação crítica, como no caso da Unimed FERJ. Embora os principais resultados econômico-financeiros das grandes operadoras tenham sido positivos, cerca de 7,5 milhões de beneficiários ainda permanecem vinculados a operadoras sob regimes de acompanhamento econômico-financeiro especial, o que exige atenção redobrada à solvência, provisões técnicas e governança financeira.

Transparência, dados e inteligência regulatória

A transparência seguiu como eixo estratégico da atuação regulatória, com o aprimoramento de painéis dinâmicos de informação, incluindo:

  • Painel de Rede e Vazios Assistenciais
  • Painel de Contratantes de Planos Coletivos

Essas ferramentas ampliam a capacidade de análise do mercado e reforçam a importância da gestão baseada em dados, tanto para o regulador quanto para as operadoras.

Evolução normativa e impacto para as operadoras

Do ponto de vista regulatório, 2025 foi marcado pela consolidação e implementação de normativos relevantes, com destaque para:

  • Resolução Normativa nº 623/2024, que aprimora o relacionamento entre operadoras e beneficiários
  • Resolução Normativa nº 649/2025, voltada à governança e sustentabilidade das autogestões, com entrada em vigor prevista para 1º de julho de 2026

Outro marco importante foi a atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, com 25 novas incorporações, incluindo tratamentos inovadores para câncer e procedimentos cirúrgicos de alta complexidade, como a prostatectomia radical assistida por robô.

Esses avanços reforçam a necessidade de uma gestão técnica, regulatória e atuarial cada vez mais estruturada, capaz de equilibrar sustentabilidade econômico-financeira, qualidade assistencial e conformidade regulatória.

Agenda Regulatória e perspectivas para 2026–2028

A Agenda Regulatória 2023–2025 orientou a atuação da ANS em temas estratégicos como fiscalização, políticas de preços, reajustes e aprimoramento regulatório. A Agência já se encontra em fase de construção da Agenda Regulatória 2026–2028, com participação social aberta até 31 de janeiro de 2026.

Os temas em debate estão organizados em 10 macrotemas:

  • Fiscalização e Processos Sancionadores
  • Regulação Econômica, Estrutural e de Mercado
  • Contratação e Reajustes
  • Rol de Procedimentos e Avaliação de Tecnologias
  • Qualidade da Atenção em Saúde Suplementar
  • Garantia de Acesso e Relação com Beneficiários
  • Integração com o SUS e Protocolos Assistenciais
  • Relação Operadora & Prestador
  • Gestão da Informação e Transparência
  • Outros Desafios Emergentes

A retrospectiva de 2025 evidencia que o ambiente regulatório da saúde suplementar está mais técnico, mais transparente e mais exigente. Para 2026, operadoras que desejam crescer de forma sustentável precisarão investir em governança, conformidade regulatória, gestão atuarial robusta e inteligência de dados, além de acompanhamento contínuo das agendas e normativos da ANS.

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Sobre o autor

Yuri Barbosa, consultor regulatório da CTS Consultoria

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Consultor Regulatório

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