
Setembro Verde: o mês da conscientização e valorização da doação de órgãos
Renata R. Rodrigues
27/09/2025
O mês de setembro é marcado por campanhas de conscientização para a doação de órgãos e tecidos, um gesto de solidariedade que pode salvar e transformar vidas. Cerca de 78 mil pessoas aguardam por um transplante no Brasil, com maior demanda por rim (42.838), córnea (32.349) e fígado (2.387).
Ao contrário do que muitos pensam, ter a frase “sou doador de órgãos” no documento de identidade não é suficiente, a lei brasileira só permite a retirada de um órgão perante a autorização de um familiar.
Art. 20 do Decreto nº 9.175/2017: “A retirada de órgãos, tecidos, células e partes do corpo humano, após a morte, somente pode ser realizada com o consentimento livre e esclarecido da família do falecido, consignado de forma expressa em termo específico de autorização.”
O diálogo aberto em família sobre a vontade de ser doador é essencial. A autorização familiar é o passo decisivo para permitir a doação e salvar múltiplas vidas. A doação é um ato generoso que transcende a perda pessoal, oferecendo esperança a muitas pessoas que aguardam por coração, um rim, fígado, córnea, ou qualquer outro órgão ou tecido que possa ser transplantado, a doação de uma única pessoa pode salvar até oito vidas.
O Sistema Único de Saúde (SUS) financia mais de 85% dos transplantes realizados no Brasil, consolidando o maior programa de transplantes públicos do mundo. O SUS cobre totalmente os custos do processo:
- Procedimentos cirúrgicos de alta complexidade;
- Internações hospitalares;
- Exames pré e pós-operatórios;
- Medicamentos, inclusive imunossupressores que evitam a rejeição do órgão transplantado;
- Tratamento de intercorrências pós-transplante;
- Custos administrativos e logísticos (captação, transporte e distribuição do órgão).
O Brasil se destaca mundialmente, sendo o segundo maior transplantador em números absolutos, atrás apenas dos Estados Unidos. Em 2024, alcançamos recorde histórico com mais de 30 mil transplantes realizados. Além disso, o Ministério da Saúde anunciou incrementos financeiros de até 80% para centros transplantadores, em 2024, com o objetivo de ampliar a capacidade e aprimorar a qualidade dos serviços.
Mesmo com grandes avanços, os desafios persistem: a lista de espera continua alta (cerca de 78 mil pessoas), e a taxa de recusa familiar alcança 45%, acima de países líderes como a Espanha, onde a taxa de recusa fica entre 8 e 10%. Em 2023, o Brasil alcançou cerca de 19,9 doadores efetivos por milhão de população (pmp), enquanto a Espanha registrou 46,3 pmp em 2022.
O SNT (Sistema Nacional de Transplantes), vinculado ao Ministério da Saúde, gerencia a fila de espera de forma única e transparente, com critérios técnicos rigorosos, incluindo urgência clínica, compatibilidade genética e sanguínea, tempo de espera, estado geral de saúde e faixa etária, garantindo isonomia entre pacientes do SUS e da rede privada.
Os órgãos são alocados levando em conta compatibilidade e logística para minimizar o tempo de isquemia. Mesmo que o paciente não seja contemplado numa primeira oportunidade, ele mantém seu lugar na fila para futuras chances.
Conclusão
O Brasil é referência mundial em transplantes, é importante destacar que o sistema é público e universal, ou seja, não há favorecimento ou prioridade para quem tem mais dinheiro. A fila de receptores é única, válida tanto para pacientes do SUS quanto para pacientes da rede privada, e as decisões são fundamentadas estritamente em critérios médicos e técnicos.
Além disso, o paciente que por algum motivo não pode ser transplantado no momento em que um órgão compatível surge, mantém o seu lugar na fila para futuras oportunidades.
Portanto, o acesso ao transplante no Brasil pelo SUS é rigoroso e baseado em princípios de equidade e justiça. No entanto, precisamos continuar ampliando o diálogo familiar, conscientizando sobre a doação e reduzindo a recusa familiar para que mais vidas possam ser transformadas.
Setembro é o mês para chamar a atenção, promover ações e valorizar o poder da doação de órgãos. Converse e incentive: a esperança está em suas mãos!

Autoria: Renata R. Oliveira
Consultora de Governança Corporativa, especialista em ESG
Referências:
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/snt
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025
